Diarista de São Paulo ganha prêmio internacional de melhor construção

Diarista de São Paulo ganha prêmio internacional de melhor construção

Promovido por um dos sites mais influentes da área de arquitetura, o “Prêmio ArchDaily Building Of The Year 2016”, teve como um dos projetos vencedores um imóvel na zona leste de São Paulo.

O imóvel de 95m², que teve o projeto identificado como “Casa Vila Matilde”, foi adquirida na década de 80 pela diarista Dalvina Borges Ramos, e encontrava-se em condições críticas. Em 2013, enquanto Dalvina estava no banho, parte do teto desabou durante uma forte chuva na capital paulista. Foi o alerta: uma reforma era necessária o mais breve possível. “Eu tinha medo, a casa estava caindo”, afirma dona Dalva.

Marcelo Borges, filho de Dalvina, procurou então um escritório de arquitetura que pudesse viabilizar a reforma com dois pedidos: a obra deveria se adequar aos recursos financeiros restritos e a necessidade de entrega rápida. O valor não poderia ultrapassar os R$ 150 mil, acumulados em uma vida de suor e poupança.

O escritório escolhido, Terra e Tuma Arquitetos, acolheu o propósito, e, em menos de 01 ano entregou a nova casa a Dona Dalva. “A documentação estava em ordem. Queríamos manter isso em ordem também. Não queríamos nenhum engenheiro assinando, e não queríamos fazer o que é muito comum no bairro: contratar um amigo, ou vizinho para fazer a obra” explica Marcelo.

A casa precisou ser demolida. Foi feita a fundação e um novo imóvel. O quarto da mãe fica no térreo, assim como a maior parte dos espaços construídos. Apenas a horta e o segundo quarto, geralmente ocupado pelo filho, ficam no andar de cima. Há uma grande janela que separa a cozinha da área de serviço e do jardim, e que atrelada ao pé direito alto da construção, proporciona luminosidade e amplitude aos espaços. Os especialistas ainda fizeram um jardim central e uma horta no teto da laje da sala, projeto da paisagista Gabriella Omagui, que promove isolamento térmico ao impedir que o sol bata diretamente no local.

“Levamos o prêmio porque trabalhamos pela democratização da arquitetura. Essa não é uma casa virtuosa, com acabamentos de última geração. E além do orçamento restrito, usamos aqueles materiais porque é a forma como entendemos o conforto. Uma casa com blocos de concreto e estrutura aparente privilegia o espaço ao invés da superfície”, explica Tuma.

A conquista vem coroar uma vida de batalhas e suor. Dalvina, que deixou o interior da Bahia com os pais e 14 irmãos, veio trabalhar na zona rural de São Paulo, até ser contratada por uma família como empregada doméstica. Residiu no emprego, com seu filho pequeno, até conseguir comprar a sua sonhada casa, há mais de 25 anos.
Dona Dalva agora guarda dinheiro para comprar armários e instalar o piso branquinho que deseja.

“Eu acho minha história bonita. É uma história de vida.” (Dona Dalva, 74 anos).

Confira o projeto completo aqui.

 

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